terça-feira, 7 de setembro de 2010

A felicidade é como a flor do caju




Não é triste o lugar onde eu me encontro, nem é turva a nuvem do meu caminho. Às vezes, fico quieto olhando uma pedra ao chão caindo e um cajueiro balançando e suas folhas me sorrindo...

A minha felicidade é como a flor do caju que se abre no sol da manhã, sem pressa, como quem cumpre o seu papel no teatro da natureza: despojar-se ao sol, à chuva, ao vento, à lua.

A minha felicidade é assim: semente de um roseiral que nunca esmorece, rígida e encorpada, fechando-se em pétalas de prece às intempéries da vida e em pétalas de fé no desamparo da morte.

E porque o tempo não passa no relógio celeste, a minha felicidade é secular, pétala solerte, que se dissolve no murmurar de um vento agreste. Sei que ela, a minha felicidade, na palma da mão cabe e sei também que por entre dedos me foge. Fugaz, fugidia é minha felicidade, louca varrida e doida curada que some no meio do dia e me escapa no cair da tarde.

- E o sol se pondo por detrás das colinas do outono -

Mas logo em seguida ela empina e sai pela rua vadia, rondando de casa em casa até o amanhecer do dia, no primeiro sinal da madrugada. Minha felicidade é dançarina, balé de cores suaves, e voa clandestina, no bico cinzento das aves.

Veleiro

4 comentários:

Talita Prates disse...

ah, que prazer de leitura!
fez-me sorrir, mesmo porque compartilho dos sentidos sabiamente construídos por tuas palavras-sendas.

destaco o trecho
"fechando-se em pétalas de prece às intempéries da vida e em pétalas de fé no desamparo da morte."
paradoxo primoroso!

um abraço,

Talita Prates
História da minha alma

Veleiro disse...

Oi moça,

Grato pelas palavras, a vida é mesmo um grande paradoxo.

abraçãooo

glória disse...

Meu amigo dos caminhos que sequer aparecem nos mapas. Essa tua felicidade com gosto de cajú, vento agreste batendo na cara, desmanchando-se, desmanchando-se é tão parente da minha!

"Sei que ela, a minha felicidade, na palma da mão cabe e sei também que por entre dedos me foge".

Tuas letras tomam pela mão essa sensação em disparada e nos brinda. Isso não quero, nunca, perder. Você. Tuas letras.

bjs

Veleiro disse...

Moça, que bom te ter por aqui... Logo você, Glória, que um dia na TV Diário falou da sua queda natural pela felicidade... Lembra?

Dizia você: desde pequena fui assim, se alguém me chamava pra estudar eu pensava o que tinha de bom, e pensava na pipoca, nos doces, nas conversas... Em toda situação você procurava a felicidade, desde pequena...

Lembra disso? Vi pela tv nos seus olhos que essa coisa da felicidade é algo muito presente, muito necessário, muito indissociável de todo o resto em sua vida.

bjs

:-)